{"id":20,"date":"2021-10-28T13:16:00","date_gmt":"2021-10-28T16:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ppt.fiocruz.br\/fioleish\/?p=20"},"modified":"2021-10-28T13:16:00","modified_gmt":"2021-10-28T16:16:00","slug":"diagnostico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/diagnostico\/","title":{"rendered":"Diagn\u00f3stico"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Leishmaniose Tegumentar &#8211; Diagn\u00f3stico<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Andreza Pain Marcelino &#8211; Pesquisadora em Sa\u00fade P\u00fablica e Aline Fagundes da Silva  &#8211; Tecnologista &#8211; Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas &#8211; INI , LapClinVigiLeish<\/h2>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico clinico da leishmaniose tegumentar \u00e9 complexo, pois ela pode se apresentar clinicamente semelhante a diversas outras doen\u00e7as com acometimento cut\u00e2neo, como hansen\u00edase, tuberculose, paracocciomicose, esporotricose, s\u00edfilis, l\u00fapus, pioderma gangrenoso, neoplasias, dentre outras. Portanto, o diagn\u00f3stico cl\u00ednico-epidemiol\u00f3gico nem sempre \u00e9 suficiente para confirma\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica dos casos suspeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O suporte laboratorial \u00e9 imprescind\u00edvel para o diagn\u00f3stico efetivo. Atualmente o diagn\u00f3stico da leishmaniose tegumentar est\u00e1 centralizado em institui\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia como alguns hospitais, laborat\u00f3rios p\u00fablicos e servi\u00e7os universit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Em linhas gerais, o diagn\u00f3stico laboratorial se baseia em visualiza\u00e7\u00e3o do parasito por t\u00e9cnicas de exame direto, histopatol\u00f3gico ou cultura e isolamento do mesmo <em>in vitro<\/em>, e s\u00e3o considerados os padr\u00f5es de refer\u00eancia para a identifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O exame direto \u00e9 o mais usado, principalmente pelo baixo custo e facilidade de execu\u00e7\u00e3o no laborat\u00f3rio. Consiste na visualiza\u00e7\u00e3o ao microsc\u00f3pio de formas amastigotas a partir de material obtido de escarifica\u00e7\u00e3o, aspirado ou bi\u00f3psia da les\u00e3o, fixado em l\u00e2mina de microscopia e corado por corantes apropriados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os m\u00e9todos de cultivo <em>in vitro <\/em>o isolamento do parasito se d\u00e1 a partir do fragmento de les\u00e3o semeado em meios de cultura e permite a visualiza\u00e7\u00e3o de formas promastigotas ap\u00f3s um per\u00edodo de crescimento no meio. Necessita de estrutura laboratorial adequada e o resultado final pode demorar at\u00e9 quatro semanas. A positividade pode variar principalmente pela possibilidade de contamina\u00e7\u00f5es do meio, inviabilizando o crescimento de <em>Leishmania<\/em> spp..<\/p>\n\n\n\n<p>Formas amastigotas de <em>Leishmania<\/em> podem ser visualizadas tamb\u00e9m em biopsias de les\u00e3o enviadas para avalia\u00e7\u00e3o histopatol\u00f3gica. O m\u00e9dico patologista pode tamb\u00e9m solicitar esse exame se suspeitar da doen\u00e7a ao analisar o material recebido e descartar outros diagn\u00f3sticos. Al\u00e9m das t\u00e9cnicas parasitol\u00f3gicas, podemos tamb\u00e9m lan\u00e7ar m\u00e3o de m\u00e9todos de identifica\u00e7\u00e3o por biologia molecular (PCR) capaz de detectar o DNA do parasito. Estas t\u00e9cnicas apresentam em geral maior sensibilidade e especificidade que as t\u00e9cnicas citadas anteriormente, por\u00e9m necessitam de estrutura laboratorial complexa para sua execu\u00e7\u00e3o e est\u00e3o centralizadas em laborat\u00f3rios de refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma outra op\u00e7\u00e3o diagnostica dispon\u00edvel no mercado e com reduzida aplicabilidade pr\u00e1tica \u00e9 o teste r\u00e1pido que detecta a presen\u00e7a do ant\u00edgeno de <em>Leishmania<\/em>. Este teste tamb\u00e9m necessita do uso de fragmento de bi\u00f3psia para an\u00e1lise, dificultando seu uso em pontos de atendimento ao paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Adicionalmente a estes m\u00e9todos, existem t\u00e9cnicas diagn\u00f3sticas que avaliam a resposta imunol\u00f3gica do paciente. Os m\u00e9todos imunol\u00f3gicos podem avaliar a resposta celular ou humoral dos pacientes. A intradermorea\u00e7\u00e3o de Montenegro (IDRM) avalia a resposta celular de hipersensibilidade tardia a ant\u00edgeno de <em>Leishmania<\/em> inoculado por via intrad\u00e9rmica, no antebra\u00e7o do paciente, e a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 lida ap\u00f3s 48horas. A rea\u00e7\u00e3o \u00e9 caracterizada por endurecimento no local da inocula\u00e7\u00e3o, causada pela infiltra\u00e7\u00e3o abundante de linf\u00f3citos e macr\u00f3fagos. Em \u00e1reas end\u00eamicas, a IDRM positiva pode ter diferentes interpreta\u00e7\u00f5es, tais como, doen\u00e7a ativa, exposi\u00e7\u00e3o ao parasito sem doen\u00e7a ou doen\u00e7a pr\u00e9-existente, bem como exposi\u00e7\u00e3o anterior ao ant\u00edgeno de IDRM, alergia ao diluente do teste ou rea\u00e7\u00e3o cruzada com outras doen\u00e7as. Atualmente o teste est\u00e1 indispon\u00edvel no mercado nacional, e muitos profissionais da sa\u00fade anseiam pelo seu retorno.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns laborat\u00f3rios de refer\u00eancia realizam testes sorol\u00f3gicos, para detec\u00e7\u00e3o de anticorpos espec\u00edficos para <em>Leishmania<\/em> spp., no entanto, n\u00e3o existe at\u00e9 o momento kits comerciais, sendo usadas t\u00e9cnicas <em>in house<\/em> (padronizadas internamente pelo laborat\u00f3rio) para diagn\u00f3stico. Todas as t\u00e9cnicas diagn\u00f3sticas dispon\u00edveis atualmente apresentam desempenho vari\u00e1vel, dependendo da forma cl\u00ednica e tempo de evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, esp\u00e9cie de <em>Leishmania<\/em> envolvida, n\u00edvel de parasitemia, presen\u00e7a de infec\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias, forma de coleta e tipo de material biol\u00f3gico utilizado, al\u00e9m de estrutura laboratorial e corpo t\u00e9cnico dispon\u00edvel para an\u00e1lise. Al\u00e9m disso, todos os resultados dos exames dever\u00e3o ser interpretados pelo m\u00e9dico assistente, que indicar\u00e1 a conduta correta para cada pacient.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Leishmaniose Visceral &#8211; Diagn\u00f3stico<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Andreza Pain Marcelino &#8211; Pesquisadora em Sa\u00fade P\u00fablica e Aline Fagundes da Silva &#8211; Tecnologista &#8211; Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas-INI , LapClinVigiLeish<\/h2>\n\n\n\n<p>A leishmaniose visceral \u00e9 uma doen\u00e7a de grande import\u00e2ncia em sa\u00fade p\u00fablica, que se n\u00e3o tratada pode levar a \u00f3bito at\u00e9 90% dos casos, portanto, o diagn\u00f3stico seja para conduta terap\u00eautica do paciente ou para a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e controle dos reservat\u00f3rios \u00e9 muito importante e deve estar dispon\u00edvel em todas as \u00e1reas de transmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Programa de Vigil\u00e2ncia e Controle da Leishmaniose Visceral (PVCLV) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade visa o diagn\u00f3stico e tratamento precoce dos casos humanos, redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o do inseto vetor e controle dos reservat\u00f3rios, al\u00e9m de medidas de educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade. O diagn\u00f3stico clinico da leishmaniose visceral \u00e9 complexo pois \u00e9 uma doen\u00e7a que apresenta um amplo espectro de manifesta\u00e7\u00f5es clinicas, podendo variar desde sinais cl\u00ednicos brandos ou oligossintom\u00e1ticos at\u00e9 sinais graves, que se n\u00e3o tratadas podem levar o paciente \u00e0 morte. Al\u00e9m disso, em \u00e1reas end\u00eamicas, pode-se observar infec\u00e7\u00f5es inaparentes ou assintom\u00e1ticas, sem manifesta\u00e7\u00f5es clinicas aparentes. Os indiv\u00edduos assintom\u00e1ticos n\u00e3o devem ser tratados.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem diferentes m\u00e9todos laboratoriais para dar suporte ao diagn\u00f3stico clinico, sendo que a primeira escolha e mais simples s\u00e3o os m\u00e9todos imunol\u00f3gicos ou sorol\u00f3gicos. Os m\u00e9todos sorol\u00f3gicos s\u00e3o realizados em pacientes que vivem em \u00e1reas end\u00eamicas (com transmiss\u00e3o da doen\u00e7a) e com manifesta\u00e7\u00f5es clinicas especificas, tais como febre, hepatoesplenomegalia ou pancitopenia. Estes m\u00e9todos s\u00e3o realizados pela coleta de sangue, e um importante teste dispon\u00edvel \u00e9 o teste r\u00e1pido imunocromatogr\u00e1fico (rK39), que possibilita o uso na beira do leito, apresenta resultado em at\u00e9 20 minutos e permite o uso de sangue total, soro ou plasma para sua execu\u00e7\u00e3o. Outras op\u00e7\u00f5es de m\u00e9todos imunol\u00f3gicos s\u00e3o os sorol\u00f3gicos por t\u00e9cnica de Imunofluoresc\u00eancia Indireta\/IFI ou a t\u00e9cnica de enzyme linked immmunosorbent assay\/ ELISA (n\u00e3o dispon\u00edvel na rede p\u00fablica de sa\u00fade). Um paciente com resultado reativo em qualquer destas t\u00e9cnicas supracitadas e apresentar manifesta\u00e7\u00f5es clinicas compat\u00edveis precisa receber o tratamento espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Falhas nos resultados dos testes sorol\u00f3gicos podem ser observadas em alguns casos, principalmente em pacientes imunocomprometidos, e, nestes casos, t\u00e9cnicas parasitol\u00f3gicas podem ser a op\u00e7\u00e3o de melhor escolha. Para realiza\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas parasitol\u00f3gicas, \u00e9 necess\u00e1rio a coleta de um dos seguintes materiais biol\u00f3gicos: pun\u00e7\u00e3o aspirativa espl\u00eanica, aspirado de medula \u00f3ssea, bi\u00f3psia hep\u00e1tica ou aspira\u00e7\u00e3o de linfonodos. A pun\u00e7\u00e3o aspirativa da medula \u00f3ssea \u00e9 o m\u00e9todo mais simples e seguro de coleta, portanto \u00e9 o mais indicado. Dentre as t\u00e9cnicas parasitol\u00f3gicas destacamos o exame direto, t\u00e9cnica simples, que n\u00e3o exige estrutura laboratorial complexa, realizada por meio de distens\u00e3o de uma gota de aspirado de medula \u00f3ssea em l\u00e2mina de microscopia, realiza\u00e7\u00e3o de colora\u00e7\u00e3o adequada (Giemsa ou Wright, Leishman, Pan\u00f3ptico) e verifica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de formas amastigotas de <em>Leishmania<\/em> em microsc\u00f3pio \u00f3ptico em amostras de pacientes positivos. Outra forma de diagn\u00f3stico parasitol\u00f3gico \u00e9 o isolamento de <em>Leishmania<\/em> em meios de cultura apropriados (<em>in vitro<\/em>) e verifica\u00e7\u00e3o de formas promastigotas do parasito em microscopia \u00f3ptica semanalmente, de uma a quatro semanas.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo do PCR (amplifica\u00e7\u00e3o do DNA do parasita) tamb\u00e9m constitui uma abordagem diagn\u00f3stica importante devido aos seus \u00edndices satisfat\u00f3rios de sensibilidade e especificidade. No entanto, \u00e9 uma t\u00e9cnica que exige estrutura laboratorial complexa e est\u00e1 limitada \u00e0 laborat\u00f3rios de refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico e tratamento dos pacientes tem que ser o mais precoce poss\u00edvel. Em casos de aus\u00eancia de diagn\u00f3stico laboratorial ou atraso na libera\u00e7\u00e3o dos resultados, o m\u00e9dico dever\u00e1 avaliar as condi\u00e7\u00f5es clinico-epidemiol\u00f3gicas do paciente e verificar a possibilidade do teste terap\u00eautico.<\/p>\n\n\n\n<p>Um fato importante na epidemiologia da leishmaniose visceral \u00e9 o papel do c\u00e3o dom\u00e9stico como reservat\u00f3rio da doen\u00e7a no meio urbano. O diagn\u00f3stico destes animais \u00e9 muito importante para definir as a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o e controle do PVCLV, al\u00e9m de orientar os tutores para os cuidados necess\u00e1rios com o animal. O diagn\u00f3stico da leishmaniose visceral canina est\u00e1 dispon\u00edvel na rede p\u00fablica de sa\u00fade, por meio de t\u00e9cnicas sorol\u00f3gicas como teste r\u00e1pido imunocromatogr\u00e1fico (Dual Path Platform-DPP Bio-Manguinhos) que possibilita a detec\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a de forma r\u00e1pida (entre 15 e 20 minutos), e permite o uso de amostras soro, plasma ou sangue total venoso. Os animais que apresentarem resultados reativos neste teste dever\u00e3o ser submetidos ao teste de ELISA, para confirma\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica. Na rede particular de atendimento os m\u00e9todos imunol\u00f3gicos dispon\u00edveis s\u00e3o testes r\u00e1pidos imunocromatogr\u00e1ficos (de fluxo lateral), Imunofluoresc\u00eancia Indireta e ELISA. Os testes parasitol\u00f3gicos, histopatol\u00f3gicos e por PCR tamb\u00e9m s\u00e3o disponibilizados por alguns laborat\u00f3rios particulares e a escolha do m\u00e9todo depender\u00e1 da conduta do clinico veterin\u00e1rio, de forma individualizada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leishmaniose Tegumentar &#8211; Diagn\u00f3stico Andreza Pain Marcelino &#8211; Pesquisadora em Sa\u00fade P\u00fablica e Aline Fagundes da Silva &#8211; Tecnologista &#8211; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":8,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-20","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-areas-tematicas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioleish\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}