{"id":64,"date":"2020-11-11T10:07:20","date_gmt":"2020-11-11T13:07:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schisto.fiocruz.br\/?p=64"},"modified":"2020-11-11T10:07:20","modified_gmt":"2020-11-11T13:07:20","slug":"descoberta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/descoberta\/","title":{"rendered":"Descoberta"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">A hist\u00f3ria da descoberta do <em>Schistosoma mansoni<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Amanda Santos \u2013 estudante biologia<\/p>\n\n\n\n<p>A origem dos helmintos do g\u00eanero <em>Schistosoma<\/em> ainda \u00e9 uma pol\u00eamica no meio cient\u00edfico. Acredita-se que eles surgiram na \u00c1sia e migraram para a \u00c1frica onde passaram por radia\u00e7\u00e3o e tornaram-se parasitos exclusivos de moluscos planorbideos. Recolonizaram a \u00c1sia e diversificaram-se em grupos: esp\u00e9cies com ovos de esp\u00edcula terminal e uma esp\u00e9cie com esp\u00edcula lateral, o<em> Schistosoma mansoni.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As primeiras observa\u00e7\u00f5es desses invertebrados foram feitas no Egito pelo patologista alem\u00e3o Theodor Bilharz, em 1851. Durante a necropsia de um jovem foi encontrado, no sangue da veia porta, um helminto branco e longo. O cientista tamb\u00e9m observou ovos com esp\u00edcula terminal, que se alojavam principalmente na urina e nas fezes do hospedeiro. Como notou que os helmintos possu\u00edam duas ventosas (que ele considerou como sendo bocas), nomeou o organismo de <em>Distomun<\/em> <em>haematobium<\/em>, (<em>Distomun, <\/em>significa \u201cduas bocas\u201d). Em 1858, o zo\u00f3logo alem\u00e3o David Weinland e o cientista ingl\u00eas Thomas Spencer Cobbold, ao estudarem a esp\u00e9cie, perceberam que somente uma das ventosas possu\u00eda cavidade oral, e sugeriram mudar o nome para <em>Schistosoma<\/em> (corpo fendido no macho), devido \u00e0 caracter\u00edstica da f\u00eamea de aderir ao macho, que \u00e9 consideravelmente maior.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano de 1902, o m\u00e9dico escoc\u00eas Patrick Manson encontrou ovos com esp\u00edcula lateral nas fezes de um paciente que havia morado nas ilhas do Caribe. Esta descoberta iniciou uma discuss\u00e3o entre os pesquisadores Arthur Looss, \u2013 que n\u00e3o acreditava na possibilidade de ser uma esp\u00e9cie nova \u2013, e o m\u00e9dico \u00edtalo-ingl\u00eas Louis Westenra Sambon, que ao analisar a falta de esp\u00edculas terminal e \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o diferente no corpo do paciente, prop\u00f4s que os&nbsp; ovos pertenceriam a uma nova esp\u00e9cie, a qual nomeou de <em>Schistosoma<\/em> <em>mansoni<\/em>, em homenagem a Patrick Manson.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que este parasito tenha chegado ao Brasil durante a \u00e9poca colonial, com o tr\u00e1fico de escravizados vindos do continente Africano. O primeiro registro de <em>Schistosoma<\/em> foi realizado pelo m\u00e9dico baiano Piraj\u00e1 da Silva em 1908. Ao analisar o sangue fresco de um jovem de Salvador, o m\u00e9dico observou a presen\u00e7a de hematozo\u00e1rios em forma crescente e ovos que, segundo ele, eram semelhantes aos do <em>S. mansoni<\/em>. Ap\u00f3s observar mais dois casos, constatou a presen\u00e7a de ovos tamb\u00e9m em fezes. Esses primeiros achados foram publicados em artigo na Revista Brazil M\u00e9dico, em 1908, corroborando as ideias de Sambon, que defendia a exist\u00eancia de mais de uma esp\u00e9cie de <em>Schistosoma<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Piraj\u00e1 da Silva contribuiu para a descoberta de parte do ciclo desses helmintos, apesar do seu desconhecimento sobre o hospedeiro intermedi\u00e1rio, pois, n\u00e3o existia, naquela \u00e9poca, literatura sobre esquistossomose no Brasil. O m\u00e9dico relatou que os ovos eram expelidos pelos humanos, caiam na \u00e1gua e um mirac\u00eddio era liberado. Al\u00e9m dos ovos, tamb\u00e9m observou o organismo adulto e reconheceu o est\u00e1dio larval, ao qual deu o nome de Cercaria Blanchardi<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tais estudos foram continuados pelo cientista Adolfo Lutz, que em 1916 iniciou pesquisas sobre a esquistossomose no Brasil. Lutz observou a penetra\u00e7\u00e3o do mirac\u00eddio no hospedeiro intermedi\u00e1rio, que s\u00e3o moluscos de \u00e1gua doce. Estes moluscos foram identificados como sendo das esp\u00e9cies <em>Biomphalaria<\/em> <em>glabrata<\/em> (na \u00e9poca <em>Planorbis<\/em> <em>oliraceu<\/em> e <em>P<\/em>. <em>guadaloupensis<\/em>) e a <em>Biomphalaria<\/em> <em>straminea<\/em> (ent\u00e3o <em>P.<\/em> <em>centimatralis<\/em>). Acompanhou tamb\u00e9m o desenvolvimento do est\u00e1dio de esporocistos at\u00e9 a cerc\u00e1ria bifurcada, como identificado por Piraj\u00e1. Al\u00e9m disso, pelo estudo experimental e da infec\u00e7\u00e3o humana, p\u00f4de observar os aspectos patog\u00eanicos, de forma a indicar tratamentos e medidas profil\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os diversos estudos e pesquisas foram essenciais para que tiv\u00e9ssemos um conhecimento progressivo da doen\u00e7a que ainda assola regi\u00f5es sem acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e rede de tratamento de \u00e1guas residuais. Portanto, \u00e9 muito importante conhecer todos os aspectos que envolvem a doen\u00e7a para que ela possa ser erradicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais:<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade. Vigil\u00e2ncia da Esquistossomose mansoni: diretrizes t\u00e9cnicas. 4Ed, Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>CALDEIRA RL.; CARVALHO, OS.; CARDOSO, PCM.; MENDON\u00c7A, CLF.; PASSOS, LKJ. Moluscos brasileiros de import\u00e2ncia m\u00e9dica. 2 ed. Belo Horizonte, FIOCRUZ\/ Centro de Pesquisa Ren\u00e9 Rachou, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>CARVALHO, OS; COELHO, PMZ; LENZI, Hl.; orgs. <em>Schistosoma<\/em> <em>mansoni<\/em> e esquistossomose: uma vis\u00e3o multidisciplinar (<em>on<\/em> <em>line<\/em>). Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>FRIED, Bernard.; TOLEDO, Rafael. <em>Biomphalaria<\/em> snails and larval trematodes. Springer<\/p>\n\n\n\n<p>KATZ, Naftale. A descoberta da esquistossomose no Brasil.Gazeta m\u00e9dica Bahia, v78 p. 123-125, Bahia, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>KATZ, Naftale. O reconhecimento da esquistossomose mansoni. Ci\u00eancia Hoje, vol.41 n\u00ba245.p- 76-78.<\/p>\n\n\n\n<p>KATZ, Naftale. The discovery of Schistosomiasis mansoni in Brazil. Acta Tropica, v.108, p.69-71, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria da descoberta do Schistosoma mansoni Amanda Santos \u2013 estudante biologia A origem dos helmintos do g\u00eanero Schistosoma ainda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[],"class_list":["post-64","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-esquistossomose"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}