{"id":66,"date":"2021-04-07T09:08:00","date_gmt":"2021-04-07T12:08:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.schisto.fiocruz.br\/?p=66"},"modified":"2021-04-07T09:08:00","modified_gmt":"2021-04-07T12:08:00","slug":"parasito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/parasito\/","title":{"rendered":"Parasito"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\">O parasito &#8211; <em>Schistosoma mansoni<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Amanda Santos \u2013 estudante de biologia<\/p>\n\n\n\n<p><em>Schistosoma mansoni<\/em> \u00e9 uma esp\u00e9cie de helminto que habita o sistema venoso, ou seja, habita os vasos mesent\u00e9ricos e o sistema porta de mam\u00edferos, aves e alguns r\u00e9pteis. Este helminto \u00e9 estudado desde 1851 quando foram observados durante uma necropsia de um jovem eg\u00edpcio. No Brasil, o primeiro registro de <em>Schistosoma<\/em> foi feito pelo m\u00e9dico baiano Piraj\u00e1 da Silva em 1908. Desde ent\u00e3o tem sido muito estudado por causar a esquistossomose, popularmente conhecida como xistose ou barriga d\u2019\u00e1gua. Existem seis esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Schistosoma,<\/em> por\u00e9m este texto se concentra no <em>Schistosoma mansoni<\/em>, o \u00fanico encontrado no Brasil, sendo respons\u00e1vel por infectar mais de 2,5 milh\u00f5es de brasileiros. Diferente de outros helmintos tremat\u00f3deos, na fase adulta \u00e9 dioico, ou seja, apresenta o sexo separado, com diferen\u00e7as entre macho e f\u00eamea. S\u00e3o organismos complexos e realizam dois tipos de reprodu\u00e7\u00e3o, sexuada e assexuada, em fases diferentes da vida. O ciclo assexuado, acontece no hospedeiro intermedi\u00e1rio, caramujos aqu\u00e1ticos do g\u00eanero <em>Biomphalaria<\/em> e o sexuado ocorre no hospedeiro definitivo, mam\u00edferos, sendo o ser humano o principal hospedeiro definitivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O ser humano \u00e9 infectado pela forma larv\u00e1ria do helminto, a cercaria, que foi liberada de moluscos, sendo o contato feito em \u00e1guas de c\u00f3rregos e lagoas ou qualquer cole\u00e7\u00e3o de \u00e1gua doce contaminada das \u00e1reas end\u00eamicas. A cercaria tem o corpo alongado e cil\u00edndrico com cerca de 500 micr\u00f4metros de comprimento e com uma cauda bifurcada na extremidade facilitando o seu deslocamento. O corpo \u00e9 dividido em duas regi\u00f5es: a) anterior onde est\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os de fixa\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o, e b) posterior onde est\u00e3o as gl\u00e2ndulas que desembocam nas ventosas oral e ventral (acet\u00e1bulo), onde est\u00e3o localizadas as c\u00e9lulas dos sistemas digestivo, nervoso, osmorregulador e muscular e as papilas sensoriais e c\u00e9lulas germinativas que dar\u00e3o origem aos \u00f3rg\u00e3os sexuais nos vermes adultos.<\/p>\n\n\n\n<p>As cerc\u00e1rias nadam ativamente em busca do hospedeiro definitivo, reagindo a est\u00edmulos como gradientes t\u00e9rmicos e subst\u00e2ncias presentes na pele deste hospedeiro. Elas penetram na epiderme do hospedeiro definitivo e passam por mudan\u00e7as para adaptar ao novo ambiente, entre elas a perda da cauda e ado\u00e7\u00e3o da respira\u00e7\u00e3o anaer\u00f3bica. O tegumento do parasito torna-se especializado para absor\u00e7\u00e3o e secre\u00e7\u00e3o al\u00e9m de atuar como local das respostas imunes do hospedeiro. Com essas transforma\u00e7\u00f5es as cerc\u00e1rias passam para a fase de esquistoss\u00f4mulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os esquistoss\u00f4mulos se deslocam da epiderme em dire\u00e7\u00e3o a derme at\u00e9 chegar nos vasos sangu\u00edneos e em alguns casos no sistema linf\u00e1tico. Este processo leva cerca de 4 a 5 dias ap\u00f3s a penetra\u00e7\u00e3o. Os esquistoss\u00f4mulos passam pela pequena circula\u00e7\u00e3o (cora\u00e7\u00e3o \u2013 pulm\u00e3o) e param no pulm\u00e3o, onde permanecem por cerca de 2 a 3 dias. Durante esta parada sofrem mudan\u00e7as no tamanho e apresentam atividade metab\u00f3lica intensa. Saem da rede vascular dos pulm\u00f5es e v\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o ao f\u00edgado.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de uma semana ap\u00f3s a penetra\u00e7\u00e3o o parasito, agora na fase de esquistoss\u00f4mulo, chega ao f\u00edgado e passa por processo de amadurecimento, transformando-se em verme adulto jovem, atinge o amadurecimento sexual e realiza a c\u00f3pula.<\/p>\n\n\n\n<p>S<em>chistosoma<\/em> <em>mansoni<\/em> possui dimorfismo sexual, ou seja, existem diferen\u00e7as entre o macho e a f\u00eamea. Quando adultos a f\u00eamea chega ao comprimento de 14 mm, com corpo filiforme e colora\u00e7\u00e3o castanho escuro, possuem duas ventosas pequenas e o corpo escavado com poucos espinhos. O macho \u00e9 menor chegando at\u00e9 10 mm de comprimento e corpo esbranqui\u00e7ado. Na regi\u00e3o anterior est\u00e3o localizadas as ventosas oral ovalada e ventral (acet\u00e1bulo) que \u00e9 mais proeminente. Posteriormente encontram-se tr\u00eas regi\u00f5es distintas: <strong>inferior<\/strong> mais alargada e <strong>posterior,<\/strong> ambas cobertas por espinhos afilados de diferentes tamanhos e o <strong>fundo da cavidade oral<\/strong>. Macho e f\u00eamea realizam a reprodu\u00e7\u00e3o sexuada podendo permanecer acoplados pelo resto da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s quatro a cinco semanas da penetra\u00e7\u00e3o o verme, j\u00e1 adulto, migra da regi\u00e3o hep\u00e1tica, via sistema porta para os vasos mesent\u00e9ricos. Possivelmente porque o sangue dessa regi\u00e3o cont\u00e9m nutrientes necess\u00e1rios para o desenvolvimento do helminto, al\u00e9m de estimular a oviposi\u00e7\u00e3o que \u00e9 realizada na submucosa dos vasos de menor calibre da parede intestinal. A oviposi\u00e7\u00e3o conta com 3 fases que dependem da idade da f\u00eamea: fase de produ\u00e7\u00e3o inicial, fase de m\u00e1xima produ\u00e7\u00e3o e fase de redu\u00e7\u00e3o progressiva. A f\u00eamea com um a dois anos realiza postura di\u00e1ria de mais ou menos 400 ovos.<\/p>\n\n\n\n<p>O ovo \u00e9 formado por c\u00e9lulas de dois \u00f3rg\u00e3os da f\u00eamea: gl\u00e2ndulas vitel\u00ednicas e ov\u00e1rio, e o sexo \u00e9 definido cromossomicamente no ovo fertilizado, sendo o macho homozigoto (zz) e a f\u00eamea heterozigoto (zw). Os ovos fertilizados s\u00e3o pequenos e de organiza\u00e7\u00e3o simples com o zigoto envolto em uma casca proteica com densa s\u00e9rie de micro espinhos na parte externa. Logo ap\u00f3s a postura, os ovos passam por quatro est\u00e1gios de transforma\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas onde aumentam at\u00e9 tr\u00eas vezes o tamanho. O ovo maduro (com mirac\u00eddio formado) mede cerca de 150 micr\u00f4metros de comprimento por 65 micr\u00f4metros de largura. Apresenta espinho na regi\u00e3o posterior formado pela membrana externa da casca. Eles atingem o intestino e s\u00e3o eliminados com as fezes, assim podem chegar em c\u00f3rregos e lagoas ou qualquer cole\u00e7\u00e3o de \u00e1gua doce em torno de 20 dias. Ap\u00f3s eclos\u00e3o dos ovos os mirac\u00eddios penetram nos caramujos e dentro deles passa por transforma\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s algum tempo o caramujos eliminam cerc\u00e1rias que na \u00e1gua que infectam os seres homens quando entram na \u00e1gua, fechando assim o ciclo evolutivo do parasito. Alguns ovos migram para o f\u00edgado sendo respons\u00e1veis pelas complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a no hospedeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para saber mais:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;BRASIL, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade. Vigil\u00e2ncia da Esquistossomose mansoni: diretrizes t\u00e9cnicas. 4Ed, Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>CARVALHO, OS.; COELHO, PMZ, LENZI, HL. Orgs<strong>. Schistosoma mansoni e esquistossomose: uma vis\u00e3o multidisciplinar<\/strong>. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz,2008.<\/p>\n\n\n\n<p>FRIED, Bernard.; TOLEDO, Rafael. Biomphalaria Snails and larval Trematodes. Springer<\/p>\n\n\n\n<p>SOUZA, Felipe Carlos de Souza; VITORINO, Rodrigo Roger; COSTA, Anielle de Pina; FARIA JUNIOR, Fernando Corr\u00eaa de; SANTANA, Luiz Alberto; GOMES, Andr\u00e9ia Patr\u00edcia. Esquistossomose mans\u00f4nica: aspectos gerais, imunologia, patog\u00eanese e historia natural [revis\u00e3o].Rev Bras Clin Med. S\u00e3o Paulo,2011, julho-agosto,9(4): 300-307.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O parasito &#8211; Schistosoma mansoni Amanda Santos \u2013 estudante de biologia Schistosoma mansoni \u00e9 uma esp\u00e9cie de helminto que habita [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[],"class_list":["post-66","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-esquistossomose"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ppt.fiocruz.br\/fioschisto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}