Rede Fio-Leish se reorganiza e reforça o papel da Fiocruz no combate à leishmaniose


Por Flavia Rianelli (PPT/ VPPCB)

O Programa de Pesquisa Translacional (PPT), vinculado à Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), promoveu, no dia 19 de maio, uma reunião da Rede Fio-Leish, realizada por meio da plataforma Zoom.

O encontro teve como objetivo fortalecer a articulação entre os grupos de pesquisa que atuam na área das leishmanioses, estimular o desenvolvimento de projetos colaborativos e ampliar as oportunidades de integração entre a pesquisa científica e suas aplicações na saúde pública.

A vice-presidente de Pesquisa, Alda Maria da Cruz, abriu a reunião destacando que a Fiocruz é “indiscutivelmente, uma das instituições brasileiras e mundiais que mais contribui para o conhecimento da leishmaniose”. Ela também chamou a atenção para um cenário que exige cautela: em alguns fóruns, a redução gradual dos casos, sobretudo de leishmaniose tegumentar, vem sendo interpretada como um sinal de que a doença deixou de representar um problema de saúde pública. No entanto, os dados apontam outra realidade. A queda nas notificações começou antes da pandemia e ainda precisa ser explicada. Entre as hipóteses levantadas estão as mudanças climáticas e as alterações no comportamento do vetor. Além disso, o número de casos permanece expressivo nas regiões Norte e Nordeste, a leishmaniose visceral continua sendo motivo de preocupação em algumas capitais e a forma canina segue endêmica.

Durante a reunião, foram discutidas possibilidades de colaboração entre os participantes e estratégias para impulsionar pesquisas translacionais voltadas ao enfrentamento das leishmanioses. A pauta também contemplou o alinhamento de iniciativas desenvolvidas nos diferentes eixos de atuação da rede:

  • Diagnóstico: a rede concluiu o desenvolvimento de um kit molecular para o diagnóstico das formas visceral e tegumentar da doença. O produto encontra-se em fase final de validação, com previsão de solicitação de registro regulatório e posterior validação em campo.
  • Educação: foi desenvolvido um curso aberto sobre leishmaniose, direcionado a agentes comunitários e à população em geral.
  • Ecoepidemiologia: foram realizados treinamentos e ações práticas em municípios com alta incidência da doença.
  • Imunopatogênese: estão em andamento análises transcriptômicas em diferentes regiões do país.
  • Genômica: um projeto de sequenciamento genético tornou-se tecnicamente viável, mesmo sem financiamento direto.

O debate também abordou a leishmaniose canina, considerando a alta frequência de casos e as dificuldades relacionadas ao seu controle. Nesse contexto, os participantes ressaltaram a importância do monitoramento de longo prazo dos fatores ambientais e climáticos, a fim de ampliar a compreensão sobre a dinâmica da doença.

Como encaminhamentos, foram propostas a elaboração de um artigo de opinião coletivo, em nome da rede, sobre o paradoxo entre a expansão territorial da leishmaniose e a redução dos casos humanos; a realização de novos webinários temáticos sobre kits diagnósticos e análises epidemiológicas; e a organização de um encontro presencial em novembro, no campus da Fiocruz no Rio de Janeiro. A programação deverá incluir a apresentação de dados sobre a doença e um espaço para a divulgação de pesquisas desenvolvidas por novos concursados.

Também foram destacadas a necessidade de ampliar a integração entre os diferentes eixos de atuação, promover o compartilhamento de estudos estratégicos, fortalecer a comunicação interna e apresentar os resultados das pesquisas à coordenação de vigilância em saúde e aos laboratórios de referência.

A iniciativa integra os esforços do PPT/VPPCB para promover a conexão entre pesquisadores, estimular a cooperação científica e favorecer a construção de estratégias conjuntas que contribuam para transformar o conhecimento científico em soluções para os desafios da saúde pública.